
Toda quinta, 18:18, eu abro o manual de uma marca foda aqui pra você. Hoje é a vez da Patagônia, de um dos meus maiores ídolos no mundo dos negócios.
Segunda continua sendo o nosso papo.
Quinta é o dia de aprender com o negócio dos outros.
Bora começar!!!!!!

A marca por trás do anúncio mais estranho da Black Friday.

Em 25 de novembro de 2011, uma marca comprou uma página inteira do New York Times com a foto do casaco que ela mais vendia, e o título em cima da foto mandava você não comprar aquele casaco. Era Black Friday, ou seja, o dia mais vendedor do calendário do varejo americano, o dia em que a loja sai do vermelho e começa a ganhar dinheiro de verdade no ano.
E sabe o que aconteceu? As vendas explodiram. No ano seguinte o faturamento da empresa subiu quase um terço, batendo 543 milhões de dólares.
A marca é a Patagônia, que faz roupa técnica pra quem escala montanha, surfa e anda na neve. Tem um princípio dessa história que eu copiei lá dentro da Reserva, e que virou mais de 200 milhões de refeições complementadas pra quem tem fome no país. Mas calma, valente, calma, que essa parte fica pro final.
A história
A Patagônia nasceu em 1973, fundada pelo Yvon Chouinard, um escalador que começou fazendo roupa e equipamento pra gente como ele, que passava o fim de semana pendurado em montanha. Pra entender tudo que vem depois, você precisa entender uma pergunta que o Yvon fez cedo e nunca mais largou: se cada roupa que eu vendo custa alguma coisa pro planeta, quem paga essa conta?

Ao longo de quase 40 anos ele respondeu essa pergunta três vezes, e cada resposta foi mais radical que a anterior.
A primeira resposta veio em 1985, doze anos depois da fundação, e foi: quem paga é a empresa. Ele criou um imposto pra cobrar de si mesmo, que chamou de imposto da Terra, e a conta era 1% do faturamento ou 10% do lucro, o que fosse maior, todo santo ano, pra causas ambientais.
Reparou que eu citei a palavra faturamento? Lucro é o que sobra depois que você pagou fornecedor, funcionário, aluguel e imposto, enquanto faturamento é todo o dinheiro que entra na empresa antes de qualquer conta ser paga. Ele escolheu amarrar o compromisso no faturamento, o que significa que mesmo num ano em que a Patagônia não lucrasse um centavo, aquele 1% saía do caixa do mesmo jeito.
O imposto resolvia a parte da empresa, mas deixava uma ponta solta, que era a própria venda: cada jaqueta vendida continuava gastando água e poluindo, e quanto mais a Patagônia crescia, maior ficava esse estrago. Foi daí que veio a segunda resposta, 26 anos depois, e ela foi: quem paga é o cliente, comprando menos.
Lembra do anúncio lá do começo? Foi exatamente isso. A Patagônia pegou a peça de roupa que mais vendia na época, um casaco de fleece, aquele tecido felpudo tipo moletom grosso, colocou a foto dele numa página inteira do jornal mais importante dos Estados Unidos e escreveu em cima, em letra grande: não compre esta jaqueta.

Embaixo da foto, no lugar onde todo anúncio lista as vantagens do produto, eles listaram o estrago que aquele casaco causava pra ser fabricado: 135 litros de água, o que 45 pessoas consomem num dia inteiro, quase 10 quilos de gás carbônico, que é o gás que esquenta o planeta, só no transporte até o depósito, e dois terços do peso da própria jaqueta virando lixo no caminho.
Pra fechar, eles ofereciam uma saída: se o seu casaco velho estragou, traz ele na nossa loja que a gente conserta, porque a Patagônia tinha montado um hubzinho de conserto justamente pra isso.
Faltava a última ponta, e ela era a mais difícil de todas: o que acontece com tudo isso quando o Yvon não estiver mais aqui? Se ele morresse, quem herdasse ou comprasse a empresa teria todo direito de acabar com o imposto, com o conserto e com qualquer anúncio mandando cliente comprar menos.
A terceira resposta veio em 2022, quando ele já tinha 83 anos, e foi: quem paga é o dono, abrindo mão da empresa. Ele dividiu a Patagônia, que valia por volta de 3 bilhões de dólares, em duas partes.
Os 98% que dão direito ao dinheiro foram pra um fundo que combate a crise climática, que recebe em torno de 100 milhões de dólares por ano e nos três primeiros anos já recebeu 180 milhões.
Os outros 2%, que são justamente as ações que dão direito a mandar na empresa, ficaram numa estrutura liderada pela família, com a missão de proteger o propósito pra sempre.
Ele deu o dinheiro todo pro meio ambiente e blindou o controle, tudo isso enquanto ainda estava vivo pra ver.

Cada uma daquelas três respostas esconde um princípio, e os três servem pra qualquer empresa, inclusive uma que nunca vai chegar perto de uma montanha.
1. Quem tem coragem de dizer não pro cliente vira o único em que dá pra acreditar quando diz sim.

Na Black Friday, todo mundo no varejo grita a mesma coisa, com desconto na vitrine e contagem regressiva na tela, e a Patagônia escolheu justamente o dia de maior barulho do ano pra pedir que o cliente comprasse menos.
O mecanismo por trás disso é simples de entender e difícil de executar. Toda marca fala bem do próprio produto, então um elogio de marca vale pouco, porque é o que o cliente já espera ouvir.
Quando uma empresa te conta o defeito, o custo, o estrago do que ela vende, ela está pagando um preço pra te dizer aquilo, e é esse preço que faz o cliente acreditar em tudo que ela disser depois.
Repara no que isso custou pra eles: a empresa abriu mão da maior data de venda do calendário e ainda deu pro concorrente um argumento pronto pra chamar ela de hipócrita, já que continuava vendendo jaqueta no dia seguinte.
Quando isso não vale: pra dizer não pro cliente, você precisa ter margem, que é o quanto sobra de cada venda depois de pagar o custo do produto, e reputação construída antes. A Patagônia tinha quase 40 anos de coerência quando comprou aquela página, e sem esses anos todos o mesmo anúncio seria lido como jogada de marketing.
2. Doação que funciona entra na planilha como custo fixo, igual conta de luz.

Desde 1985, o 1% da Patagônia sai todo ano sem depender do resultado da empresa nem do humor do dono, do mesmo jeito que o aluguel sai.
O mecanismo tem a ver com uma coisa que o Yvon entendeu antes de todo mundo: a maior parte de nós é gente boa, e quando uma empresa se coloca no meio do caminho entre um problema social e o cliente, é por ela que a gente escolhe, justamente porque a gente é bom. Só que o cliente reconhece de longe doação feita pra campanha, e desconta. O que convence é a doação que continua lá no ano em que ninguém está olhando.
Quando isso não vale: se a sua margem não aguenta o compromisso no pior ano que a sua empresa já teve, a promessa vai quebrar na frente do cliente, e aí o estrago é maior do que se você nunca tivesse prometido nada. Melhor prometer pouco e cumprir sempre.
3. Sucessão resolvida em vida protege aquilo que o dinheiro não compra de volta.

Em 2022, o Yvon separou as duas coisas que quase todo dono trata como uma só: o dinheiro da empresa e o poder de mandar nela. O dinheiro foi pro fundo climático, e o poder ficou numa estrutura desenhada pra proteger o propósito depois que ele se for.
Uma sucessão mal resolvida é a causa número um de morte, não só da empresa, mas daquilo que mais move a empresa, que é a cultura e o propósito dela. Quando o dono morre sem deixar isso organizado, quem chega depois tem todo direito legal de mudar a missão, e na maioria das vezes muda.
O custo dessa decisão foi o maior dos três: ele abriu mão de 3 bilhões de dólares e da herança da própria família em dinheiro.
Quando isso não vale: a estrutura do Yvon só se sustenta porque a Patagônia dá lucro todo ano sem depender dele. Se o seu negócio ainda precisa de você pra faturar, o primeiro passo da sucessão é fazer a empresa andar sem a sua presença, e só depois pensar em quem manda quando você sair.

MANUAL DE IMPLEMENTAÇÃO
Beleza, mas a Patagônia é a Patagônia, com 50 anos de estrada e 3 bilhões de dólares de valor, enquanto você tem uma empresa pra abrir amanhã de manhã. Então vamos pegar as três respostas do Yvon e trazer pro tamanho do seu negócio, ainda essa semana:
Propósito é a pergunta que você se recusa a largar, e é ela que decide por você quando ficar difícil.
O Yvon fez uma pergunta cedo e nunca mais largou: se cada roupa que eu vendo custa alguma coisa pro planeta, quem paga essa conta? Em quase 40 anos ele respondeu 3 vezes, cada resposta maior que a anterior. Propósito é uma pergunta que incomoda o dono até ele agir, e a empresa cresce nas respostas.
Escreve a missão numa frase que a sua avó e uma criança de 12 anos entendam. Se soa a jargão, refaz.
Lista o que te energiza e o que te suga na semana: o que energiza muito tende a ser o seu talento, e o que suga muito não é. Cola onde você veja todo dia a pergunta que o eu faço toda semana: estou fazendo o que é certo e o que eu sou bom?
Reduz a 3 valores (ninguém decora 12) e passa a Black Friday, que cai em 27/11, por eles antes de decidir alguma promoção.
Faz a conta: com margem de contribuição de 40% (o que sobra de cada venda depois dos custos que variam com ela), um desconto de 20% exige vender o dobro só pra ganhar o mesmo dinheiro. Se não fecha, troca o desconto por crédito com validade, como o de R$ 25 do Reserva Prime, que custava cerca de R$ 6 pra empresa.
Sinal de que funcionou: na próxima decisão difícil você cita um valor em vez de pedir desculpa.
Transforma a sua causa em linha de planilha.
Se você já ajuda alguém, ou pretende ajudar, para de tratar isso como sobra e define um número fixo em cima do faturamento, por menor que seja, que saia todo mês junto com o aluguel. Um número pequeno que sai sempre vence um número bonito que sai quando dá.
Escolhe 1 compromisso ligado ao que você vende: que problema o seu produto resolve pra quem paga, e quem não consegue pagar por ele?
Conta pro cliente na hora da compra e dá pro compromisso um dono (uma pessoa), 1 número (o valor entregue no mês) e 1 rito (prestação de contas mensal pro time).
Sinal de que funcionou, em 90 dias: clientes citando o compromisso sem você puxar e indicação chegando por causa dele.
Escreve, enquanto você ainda manda, o que a empresa não pode deixar de ser quando você sair.
Poucos donos têm 3 bilhões de dólares pra dividir, mas todos têm o mesmo problema: a empresa só sobrevive ao dono se o que importa estiver fora da cabeça dele. Sem isso o dono vira o teto: as pessoas boas não têm pra onde crescer, porque a cadeira de cima nunca vaga, e vão embora.
Na prática são 3 camadas, todas por escrito:
O que não muda: valores e propósito. A cultura é da liderança e some junto com ela quando nada está escrito.
Quem decide o quê: quem decide, quem assina, o que precisa de consenso e o que acontece se um sócio sair ou não puder mais trabalhar. O contrato de sócios se faz quando tudo está bem e protege a sociedade boa.
Gente com pele em jogo: uma fatia reservada pra quem veste a camisa. Na Reserva, o Programa de Notáveis colocou os melhores colaboradores na sociedade.
O princípio que eu trouxe pra Reserva foi o segundo, quando a gente criou o 1P5P, que quer dizer uma peça, cinco pratos. A partir dali, cada peça vendida passou a virar cinco refeições pra quem tem fome no país, e a gente colocou isso na planilha como custo que a empresa carrega ao longo de dez anos, todo mês, faça chuva ou faça sol.

Até hoje são mais de 200 milhões de refeições complementadas, o suficiente pra alimentar aproximadamente 10 mil brasileiros com três refeições diárias. Te digo mais: foi o projeto que mais divulgou a nossa empresa em toda a história dela.
🔐 EXCLUSIVOS PARA ASSINANTES:

Isso aqui que você acabou de ler é metade de UM manual. Um. De uma marca só.
Na minha comunidade de Donos, o Manual de Donos, eu mostro COMO aplicar vários aprendizados no SEU negócio, passa a passo, começando já.
A gente montou tudo em cima de três pilares:
1. Educação: quem construiu te ensinando a construir. Toda terça-feira tem aula com os maiores empresários do Brasil, gente como o Guilherme Benchimol, que fundou a XP do zero, e o Bernardinho, que treinou a Seleção de vôlei por mais de 20 anos, e esse mês o Flavio Augusto. Cada aula chega com o passo a passo pra aplicar na sua empresa, e ainda tem mentoria ao vivo pra você trazer o seu caso e resolver na hora.
✓ Dois manuais novos toda semana, um de negócios e um de inteligência artificial: o de negócios é esse aqui que você acabou de ler, só que com uma videoaula, o passo a passo de implementação, e o framework pra rodar na sua empresa. O de IA te entrega uma ferramenta montada e funcionando, sem precisar entender nada de tecnologia.
2. IA: o sistema pronto, instalado com um clique. Você não precisa entender nada de tecnologia pra usar: pega o sistema de inteligência artificial pronto, copia, cola na sua operação e ele começa a trabalhar no mesmo dia, vendendo, controlando o seu financeiro ou acompanhando o seu time comercial.
✓ Um time de 15 agentes inteiro te esperando: são mais de 15 agentes de inteligência artificial, que são assistentes treinados pra pensar como diretor, cada um com o seu cargo: diretor financeiro, diretor comercial, marketing, gestão, contratação, atendimento e dados…
3. Comunidade: 6 mil donos que também podem virar seus clientes. É uma rede de mais de 6 mil donos de negócio, de todo segmento, fazendo negócio entre si, e a sua empresa entra no nosso Marketplace, que é a vitrine onde esses donos procuram fornecedor dentro da própria comunidade. Você entra pra aprender e ainda pode sair com cliente novo.
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SOBRE MIM

Eu e meus sócios fundamos algumas das marcas mais relevantes do país com R$0 no bolso e as levamos a R$2 bilhões de faturamento anual. Vendemos o negócio por mais de R$1 bilhão e hoje vivemos para mentorar e investir em fantásticos empreendedores.
Toda segunda-feira, às 18:18, eu envio o Email do Rony. É a minha forma de te ajudar a construir uma vida e um negócio prósperos.
Trabalho pela minha família e carrego ela comigo em tudo que faço. Por isso eu te pergunto: você tá construindo algo que te permite viver de verdade, ou só sobrevivendo? Pensa nisso.
Um abraço,
Até a próxima segunda-feira, às 18:18h. VQVVVVVVVVV!


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