
Toda quinta eu abro o manual de uma marca aqui pra você, e depois das últimas edições chegou um monte de mensagem pedindo mais histórias
Então hoje eu trouxe o oposto de marca famosa: dois jovens de vinte e poucos anos, dívida no banco, uma loja vazia no dia da inauguração e o negócio mais chato que você pode imaginar. Uma lavanderia que mudou o mercado, galera.
Quinta é o dia de aprender com o negócio dos outros.
Bora começar!!!!!!

ANTES: UM CONVITE ESPECIAL
Eu vou te mandar um conselho de negócio por dia, de graça.

Imagina receber todo dia um conselho de negócio como os desse email, direto no seu celular, com o passo a passo pra você colocar em prática no mesmo dia e tudo o que eu aprendi em 20 anos empreendendo no Brasil, 100% de graça.
Foi por isso que eu abri o Exército de Donos, um grupo no WhatsApp onde eu estou reunindo donos do Brasil inteiro com uma missão: fazer de novembro e dezembro o melhor bimestre da história dos nossos negócios.
Lá dentro, todo dia eu mando um áudio com um conselho prático pra você aplicar no mesmo dia, do mesmo jeito que faço nesse email, só que direto no seu celular, com tudo o que aprendi em 20 anos empreendendo no Brasil.
Quem está no Exército também tem benefícios que ninguém de fora vai ter. O maior deles é uma aula que eu vou fazer abrindo o manual completo que construí em 20 anos: toda a minha gestão, protocolo por protocolo, pra você não entrar em 2027 travado.
Essa aula vai ser só pra quem estiver dentro do Exército.
Agora eu vou brigar com o grupo dos tios no WhatsApp kkkkk Vamos para a edição?
Negócio chato não existe: a lavanderia que virou escritório, café e espaço de festa

Uma lavanderia no Brooklyn, em Nova York, virou o lugar onde a galera vai pra trabalhar, marcar reunião e até fazer festa de marca famosa. Uma lavanderia, meus amigos. Daquelas onde a gente vai lavar cueca e lençol.
O nome é Launderette, e ela fez tanto barulho que foi parar na Forbes, a revista que faz a lista dos mais ricos do mundo, e na Fortune, uma das revistas de negócios mais importantes dos Estados Unidos.
A máquina é a mesma, o sabão lava igual e a roupa sai igual de qualquer lavanderia do mundo.
Mesmo assim, hoje tem hotel e estúdio de pilates mandando roupa pra lá, e cliente que entra pra lavar a roupa e fica a tarde inteira.
A história
Pra entender essa história, guarda uma pergunta, porque é ela que liga tudo: todo mundo olha pra uma lavanderia e vê máquina de lavar. O que mais tem ali dentro que ninguém está vendo?
A resposta começou numa ceia de Natal, em 2023, na Califórnia. A Ireland McCaughey tinha 25 anos e ouvia a família falar de amigos que estavam se aposentando e deixando os negócios pra trás, porque os filhos não queriam assumir os lava-jatos, as lavanderias e os estacionamentos da família.
Do outro lado da mesa estava o Ben Razin, sócio dela, e os dois enxergaram ali uma coisa que a turma da idade deles ignorava: um monte de negócio tradicional, daqueles que todo mundo chama de chato, com donos envelhecendo e ninguém novo olhando pra eles.
Só que eles não quiseram comprar um negócio velho e tocar do mesmo jeito. Repara como é uma lavanderia em qualquer lugar do mundo: luz branca, cadeira de plástico, televisão no mudo e uma vontade enorme de ir embora. Os dois queriam provar que dava pra fazer uma lavanderia onde as pessoas quisessem ficar.

Em poucos meses, eles saíram da conversa do Natal pra reuniões com investidores e banco, pegaram dívida de verdade, largaram a vida na Califórnia e se mudaram pra Nova York. Em julho de 2024 assinaram o aluguel de um espaço vazio no Williamsburg, um bairro jovem e descolado do Brooklyn, com seis meses de carência.
Ou seja, tinham seis meses pra construir e abrir a loja antes de começar a pagar aluguel, sem nenhum cliente.
Aí veio o primeiro conselho que eles decidiram ignorar. Todo especialista em lavanderia que eles consultaram falou a mesma coisa: espaço de lavanderia é pra máquina de lavar, e cada metro sem máquina é dinheiro jogado fora.
Quando souberam que os dois queriam abrir mão de espaço pra montar uma área onde o cliente pudesse sentar e trabalhar, a resposta foi direta: não façam isso de jeito nenhum.
Eles ouviram tudo com muito respeito e fizeram exatamente o contrário. Abriram mão de uma parte nobre do espaço, logo na frente da loja, pra montar mesas de trabalho, lugar pra sentar e um balcão de café.

Trocaram a luz branca de hospital por uma luz quente, que dá pra diminuir, colocaram uma tomada em cada lugar pra galera ligar o notebook, um som que muda de playlist ao longo do dia, cheirinho no ar, guardaram os sacos de roupa no porão pra loja ficar limpa e usam só sabão que não agride nem a pele, nem o meio ambiente.
A Ireland resume o objetivo assim: um lugar onde você escolheria passar o seu tempo.

Abriram no começo de 2025, e aqui tem uma parte que pouca gente conta. Eles estavam tão enterrados na obra que quase não fizeram marketing antes de abrir. Os primeiros dias foram vazios, com o Ben parado no balcão vendo gente passar com sacola de roupa na calçada sem entrar, e o primeiro cliente só apareceu no segundo dia.
O que virou o jogo foi 50% de desconto em tudo no primeiro mês: quem entrava olhava em volta, perguntava que lugar era aquele e voltava trazendo os amigos.
Deu certo demais. Hoje tem gente trabalhando de notebook enquanto a roupa gira, tem hotel e estúdio de pilates mandando a roupa deles pra lá, e marca grande alugando o espaço pra fazer evento, como a Brooklinen, uma marca americana de roupa de cama, e a Tower 28, uma marca de maquiagem.
Pra quem não tem tempo nem de ir até lá, eles buscam a roupa em casa por um aplicativo. Ainda tem um detalhe que todo dono de negócio chato esquece, e que o Ben adora repetir: roupa suja não acaba nunca, o cliente volta toda semana, e quando você conquista um cliente de lavanderia, é muito difícil perder ele.
O conselho que fica: você não precisa revolucionar o seu mercado, precisa achar os 3% do seu negócio, ou da experiência de quem compra de você, onde dá pra ir pro lado contrário enquanto todo mundo vai pro mesmo lado.
Negócio chato não existe. Existe negócio que ninguém ainda teve a coragem de mudar.

Lembra da pergunta lá do começo, sobre o que tem dentro de uma lavanderia que ninguém está vendo? Os três aprendizados saem da resposta dela, e servem pra quem vende produto, pra quem presta serviço e pra quem vende pela internet.
1. Às vezes o seu produto de verdade está no tempo que o cliente passa esperando.

Os especialistas olharam pra lavanderia e viram máquina. A Ireland enxergou a oportunidade no tempo parado que o cliente passa sentado esperando a máquina terminar de lavar, que em toda lavanderia do mundo é um tempo jogado fora.
O mecanismo é simples: a lavagem todo mundo entrega igual, então ela não diferencia ninguém. A espera, que todo concorrente trata como problema do cliente, virou o produto deles. Quem vai lá compra roupa lavada e ganha de presente uma hora agradável e produtiva, num lugar onde dá vontade de ficar.
Se você presta serviço, a sua espera quase nunca acontece numa cadeira. Ela mora no intervalo entre o cliente fechar com você e enxergar o resultado: o paciente que fez o exame e espera o retorno, a empresa que contratou a contabilidade e não sabe se o imposto foi pago, o dono do carro que deixou na oficina e ficou a pé.
Nesse intervalo o cliente fica no escuro, e o escuro é exatamente o lugar onde dá pra surpreender.
O custo foi espaço, que numa lavanderia é dinheiro: cada mesa ocupa o lugar de uma máquina que poderia estar faturando.
Quando isso não vale: a experiência só tem valor quando o cliente já é obrigado a passar tempo com você. Se o seu cliente entra, compra e sai em dois minutos, investir na espera é decorar um lugar onde ninguém fica.
2. Negócio chato tem uma vantagem que quase todo negócio da moda não tem: o cliente volta toda semana.

Roupa suja não acaba. O cliente da lavanderia volta toda semana, pelo resto da vida, e o próprio Ben resume isso dizendo que, uma vez que você ganha o cliente, é muito difícil perder ele, porque você precisa fazer alguma coisa muito ruim.
É por isso que os negócios chatos são lucrativos quando alguém tem coragem de mexer neles: a recorrência já vem de fábrica, e quem dá um motivo a mais pro cliente escolher a sua empresa leva aquele cliente por anos.
Boa parte dos serviços tem essa mesma vantagem e não se dá conta: a contabilidade que fecha o mês, o dentista que vê o paciente a cada seis meses, a manutenção do ar-condicionado, o salão onde a cliente pinta o cabelo todo mês.
Em todos eles, cada melhoria na experiência é sentida de novo a cada visita, o que faz ela render muito mais do que numa venda que acontece uma vez só.
O custo é a paciência, e o Ben fala disso com uma honestidade rara: ninguém sai de casa pensando em onde lavar a roupa, todo mundo já tem a sua lavanderia, e virar a lavanderia de alguém leva tempo. Os primeiros meses foram de caixa saindo e dívida pesando.
Quando isso não vale: o tal do negócio chato virou moda na internet, e vídeo sobre comprar lavanderia é bem diferente de comprar uma. Nos Estados Unidos, em 2025, foram abertas 5,62 milhões de empresas novas, enquanto o maior site de compra e venda de negócios do país fechou menos de 10 mil vendas.
3. Você não precisa revolucionar o seu mercado, precisa achar os 3% que dá pra mudar.

Eles mantiveram a lavanderia igualzinha: mesma máquina, mesmo sabão, mesma roupa lavada. Mexeram no máximo em 3% da experiência, uma mesa, uma tomada, um lugar onde dá vontade de ficar, e esses 3% mudaram tudo.
A lógica é a do zig e zag: quando todo mundo do seu mercado vai pra um lado, você só precisa achar o pedaço onde dá pra ir pro outro. No caso deles, foi justamente o espaço que todo especialista mandava encher de máquina.
No serviço, os 3% costumam estar nos pedaços que ninguém cobra e todo concorrente faz no automático: o jeito de dar boas-vindas a um cliente novo, o relatório que vai junto da entrega, a mensagem depois do atendimento perguntando se ficou tudo certo. O serviço principal continua igual, e o cliente lembra de você por causa do resto.
O custo foi ir contra todo mundo que entendia do assunto, com dívida nas costas e seis meses de relógio correndo.
Quando isso não vale: os 3% não salvam um negócio que erra no básico. A Launderette tem máquina boa, entrega no mesmo dia e preço que o cliente aceita pagar. A mesa bonita só funcionou porque a roupa saía limpa.

MANUAL DE IMPLEMENTAÇÃO
Beleza, mas a Launderette fica no bairro mais descolado de Nova York e tem marca grande alugando o espaço, enquanto você tem uma empresa pra abrir amanhã de manhã, seja ela uma loja, um escritório, uma clínica ou um negócio que vende pela internet. Então vamos trazer esse manual pro tamanho do seu negócio, ainda essa semana.
1. Acha onde o seu cliente fica esperando.
Se você tem loja ou atende presencialmente, olha pra fila, pra sala de espera e pro balcão. Se você presta serviço, olha pro intervalo entre o cliente contratar e ver o resultado, e pergunta quantas vezes ele precisa te cobrar pra saber em que pé está.
Se você vende online, olha pros dias entre a compra e a entrega. Escolhe uma dessas esperas e pensa num jeito de transformar ela em alguma coisa boa, seja um lugar agradável, um aviso de andamento antes do cliente perguntar ou uma surpresa no meio do caminho.
2. Conta quantas vezes o seu cliente volta.
Pega os seus dez melhores clientes e vê a frequência com que eles compraram ou usaram o seu serviço no último ano. Se o seu negócio tem recompra natural, toda melhoria de experiência vale em dobro. Se não tem, pensa no que você poderia oferecer de forma recorrente, como uma manutenção, uma revisão ou um acompanhamento, pra dar ao cliente um motivo de voltar.
3. Acha os seus 3%.
Escreve as cinco coisas que todo concorrente seu faz igual, do jeito que o cliente é recebido até o jeito que ele é atendido depois da venda. Escolhe uma só e pensa no que aconteceria se você fizesse diferente. Se a resposta te der um pouco de medo, você provavelmente achou o seu zag.
PRA FECHAR
🎟️ Mais de 2 milhões de pessoas assinam e leem essa newsletter todas as semanas. Se você tem um negócio e deseja comunicar sua marca para nossos leitores é só falar com o nosso time clicando aqui.
📱Se você ainda não me segue no Instagram, clica aqui e vem comigo.
SOBRE MIM

Eu e meus sócios fundamos algumas das marcas mais relevantes do país com R$0 no bolso e as levamos a R$2 bilhões de faturamento anual. Vendemos o negócio por mais de R$1 bilhão e hoje vivemos para mentorar e investir em fantásticos empreendedores.
Toda segunda-feira, às 18:18, eu envio o Email do Rony. É a minha forma de te ajudar a construir uma vida e um negócio prósperos.
Trabalho pela minha família e carrego ela comigo em tudo que faço. Por isso eu te pergunto: você tá construindo algo que te permite viver de verdade, ou só sobrevivendo? Pensa nisso.
Um abraço,
Até a próxima segunda-feira, às 18:18h. VQVVVVVVVVV!


SUA VEZ
O que achou da edição de hoje?
Fazer login ou Inscrever-se participar

