FRASE DA SEMANA

Uma agenda lotada e uma mente lotada vão destruir sua capacidade de criar qualquer coisa que preste.

Naval Ravikant

FALA RONY

Você tá maluco?

Se você nunca ouviu essa pergunta na vida, meus amigos, eu tenho uma notícia desconfortável pra te dar. Ela aparece quando você decide sair de um emprego bom, com salário bom, que está te matando por dentro, quando decide voltar a estudar aos quarenta e cinco anos, quando muda de cidade, quando corta aquele amigo que só te puxa pra baixo. Em todas essas horas alguém vai te olhar de lado e perguntar, com o melhor dos sentimentos, se você tá maluco.

Pensa comigo um segundo: ninguém nunca foi chamado de maluco por fazer exatamente igual ao vizinho, ninguém nunca ouviu um "cara, você tem certeza disso?" por escolher o caminho que todo mundo já tinha escolhido antes.

A pergunta só aparece quando você faz alguma coisa que a pessoa do outro lado ainda não consegue enxergar, e é aí que mora a sacada: quando alguém te pergunta se você tá maluco, na maior parte das vezes o que essa pessoa está te dizendo, sem saber, é que você viu uma coisa que ela ainda não viu.

Não é que ela seja b@rra, é que ela está olhando de outro lugar: ela está olhando do lugar de quem ficou, de quem escolheu a segurança, o que é absolutamente legítimo, e de lá o seu movimento parece risco puro, porque ela só consegue ver o que você está largando, não o que você está enxergando, já que isso ainda não existe, ainda não tem prova e ainda não dá pra mostrar em foto.

Agora, calma, porque eu não vou te dizer aquela besteira de que ser chamado de maluco é sinal de que você acertou: não é, tem maluco que é maluco mesmo kkkkkkk

A diferença entre um e outro cabe numa pergunta só: você está fazendo isso porque enxergou alguma coisa, ou porque quer ser visto como o cara que faz diferente? Quem enxergou tem uma explicação chata, cheia de detalhe, quase sempre entediante pra quem escuta, e consegue dizer por que aquilo vai funcionar, o que precisa dar certo e o que pode dar errado, enquanto quem só quer aparecer não tem detalhe nenhum, tem apenas a adrenalina gostosa de estar sendo contrariado.

Anota essa régua, que ela te salva de muita besteira: se a sua defesa da ideia é mais empolgada do que detalhada, provavelmente o maluco é você mesmo. Mas se você tem os detalhes e continua ouvindo a pergunta, então você está no lugar certo, e o lugar certo é sempre solitário no começo.

E é exatamente aí que a maioria das pessoas desiste, mas repara no motivo, porque ele não é o que parece: não é medo do fracasso, é medo do constrangimento.

Semana passada eu sentei ao vivo com o Augusto Lins, sócio-fundador da Stone, pra dar uma aula na nossa comunidade, e ele contou uma coisa que eu não consegui mais tirar da cabeça. O Augusto tinha uma vida que qualquer um assinaria embaixo: começou trabalhando aos sete anos de idade como engraxate, foi office boy na época da escola, se formou engenheiro na UFRJ e construiu vinte anos de carreira no mercado financeiro até virar diretor de uma instituição gigante, com cargo grande, salário grande e cinquenta anos de idade, ou seja, o topo.

E aos cinquenta anos ele largou tudo pra ir sentar numa sala apertada no Centro do Rio com um moleque de vinte e cinco anos, e uma turma de jovens que apelidou ele de vovô por sacanagem, já que ele era o único de cabelo branco na sala. O sonho deles era quebrar o domínio das duas empresas que mandavam nas maquininhas de cartão do Brasil inteiro.

Ele contou que todo mundo, mas todo mundo mesmo, falava a mesma coisa pra ele: Augusto, você tá maluco, você é diretor de uma instituição enorme e vai começar do zero pra competir com os gigantes? Aí ele me olhou ao vivo e disse assim: quando alguém te falar que você tá maluco, é sinal de que esse é o caminho.

E o que eles fizeram foi o contrário de todo mundo, porque em vez de partir da tecnologia ou do dinheiro, foram bater na porta do lojista pra ouvir ele reclamar, e ouviram uma cena que me deixou todo arrepiado quando o Augusto contou: o comerciante ligava pro atendimento do banco de celular pré-pago, aquele de crédito contado, ficava pendurado na linha esperando, a ligação caía, ele ligava de novo, os créditos acabavam e ele desistia, desistia de reclamar, desistia de ser ouvido, e o Brasil inteiro achava aquilo normal.

Foi por causa dessa cena que eles criaram o número que resume a empresa até hoje, que são cinco segundos: esse é o tempo máximo que eles se comprometeram a demorar pra atender o telefone de um cliente, com gente de verdade do outro lado, chamando você pelo nome, sem digite um, sem digite dois e sem protocolo. Isso também era maluquice na época, e hoje virou padrão de mercado.

Porque é assim que funciona, e essa é a parte mais engraçada de toda essa história: a ideia maluca de ontem é o óbvio de hoje. Aquela sala apertada virou uma empresa que abriu capital na bolsa de Nova York em 2018, e em 2020 já valia mais de cem bilhões de reais. Tinha quinhentos mil clientes na época da bolsa, hoje tem mais de quatro milhões e meio.

E hoje ninguém mais chama aquilo de loucura, chamam de visão: sempre chamam, depois.

Então fica com isso hoje: se você está com uma ideia atravessada na garganta há meses, e você já tem os detalhes, já pensou no que precisa dar certo e no que pode dar errado, e mesmo assim continua ouvindo aquela perguntinha em volta, presta atenção no que essa pergunta é de verdade, porque ela não é um veredito, é só a reação natural de quem está olhando de outro lugar.

Ninguém nunca vai te aplaudir antes: o aplauso é sempre depois, e vem justamente das mesmas pessoas que um dia perguntaram se você tinha enlouquecido.

O empreendedor brasileiro é chamado de maluco todo santo dia, por escrito, em forma de recusa.

É exatamente por isso que eu sou embaixador da Stone com muito orgulho: não é porque é banco, tem banco demais nesse mundo, é porque é o único que nasceu do outro lado do balcão, feito por gente que também já ouviu que estava maluca.

E tem uma coisa lá dentro que, com vinte anos de varejo nas costas, me fez levantar da cadeira: o que você tem a receber das suas vendas vira crédito, ou seja, a venda que você já fez e que ainda não caiu na conta destrava o seu limite. É o contrário exato do que eu vivi a vida inteira, que era vender, esperar o dinheiro cair e só então poder comprar.

Todo mundo diz que está do lado de quem empreende, já a Stone me deu todos os exemplos: Crédito no ritmo das vendas, o melhor rendimento PJ do mercado, folha e ponto na maquininha, todas as formas de vender num lugar só e atendimento humano que vai até o seu balcão.

Se você nasceu pra empreender, agora tem um banco que nasceu pra você:

RAIO-X DE NEGÓCIO

A história por trás da Ralph Lauren é sobre coragem, não sobre moda.

Esse cara é um dos meus maiores ídolos nos negócios, e a história dele tem uma lição que vale pra qualquer dono, em qualquer mercado. Na certidão de nascimento dele está escrito Ralph Lifshitz, e como "shit" em inglês significa merda, ele era zoado sem piedade na escola, até que aos 16 anos ele e o irmão mais velho decidiram trocar o sobrenome da família pra Lauren. Repara que a primeira grande marca que ele construiu na vida foi a dele mesmo, muito antes de vender qualquer coisa.

Ralph cresceu no Bronx, em Nova York, dividindo quarto com dois irmãos numa família de imigrantes judeus vindos do leste europeu. O pai pintava parede de apartamento pra sobreviver, mas se entendia como artista, e essa mistura entre trabalho braçal e alma de criador ficou marcada no filho. O Ralph nunca fez escola de moda, nunca estudou design, chegou a entrar numa faculdade de administração e largou depois de dois anos. Começou vendendo gravata, primeiro pros colegas na escola, depois como vendedor de loja e de fabricante.

O que ele tinha em quantidade absurda não era técnica de estilista, era o próprio repertório. Cinema americano das décadas de 50 e 60, Cary Grant, Fred Astaire, aquela imagem de elegância que passava na tela grande e que fazia um moleque do Bronx sonhar em ser outra coisa.

E deixa o papai aqui te falar uma verdade: criatividade não tem nada a ver com genética, com dom, com talento nato. Criatividade é repertório. É livro, filme, exposição, espetáculo, viagem, conversa. Quanto mais referência você acumula, mais ideia você tem guardada, e no dia em que precisar, ela vai estar lá.

Em 1967, com um empréstimo de um fabricante, ele lançou a própria linha de gravatas trabalhando dentro de uma única gaveta de um escritório alugado no Empire State Building. E as gravatas dele eram esquisitas pro padrão da época: enquanto todo mundo usava gravata fina, de uns cinco ou seis centímetros, as dele tinham quase dez, feitas de tecido de estofado

Ele batizou a marca de Polo, um esporte que ele nunca tinha jogado na vida e que provavelmente nunca tinha visto de perto, justamente porque aquela palavra carregava um mundo inteiro de elegância, campo, fortuna herdada, um universo que milhões de americanos queriam habitar.

Aí a Bloomingdale's, que era uma das maiores lojas de departamento dos Estados Unidos, se interessou. Aquele pedido significava a Quinta Avenida, significava dinheiro, significava a virada da vida de um cara falido. Só que veio com duas exigências: a gravata tinha que ser fina, do jeito que o mercado usava, e tinha que tirar a etiqueta com o nome dele, porque a loja colocaria a própria etiqueta. E o Ralph, sem um tostão no bolso, precisando desesperadamente daquele dinheiro, olhou pro comprador e disse não.

Seis meses depois, a Bloomingdale's ligou de volta implorando pelas gravatas. Largas, do jeito dele, com o nome dele estampado na etiqueta. Porque o cliente tinha começado a pedir aquilo e a loja não tinha o que oferecer. Ele ainda conseguiu, dali a pouco tempo, um espaço próprio dentro da loja com a marca dele na parede.

E aqui está o que virou manual pra gente. O Ralph nunca fez roupa conceitual pra impressionar crítico de moda, ele fez sempre o básico, icônico, de muita qualidade, a vida inteira, repetindo a mesma coisa com uma coerência obsessiva. E quando o mercado entendeu o mundo que a marca representava, ele não saiu criando marcas novas e desconexas. Ele foi abrindo cômodos dentro da mesma casa, com a Polo, a Purple Label, a RRL, a Ralph Lauren Home e tantas outras, todas morando no mesmo universo.

A gente copiou isso na veia. Depois da Reserva vieram a Mini, a Eva, a Oficina, a Reversa, a Reserva Go. O Ralph criou o cavalo de polo, a gente criou o pica-pau. O Ralph veste oficialmente o torneio de Wimbledon, sendo o primeiro estilista da história a fazer isso. A gente fez, até o momento em que saí da companhia, a linha de moda de quase todo clube de futebol brasileiro.

O conselho que eu tiro de tudo isso é o seguinte: marca não é o que você vende. Marca é o mundo onde aquilo que você vende mora e faz sentido.

E olha, eu falei rapidinho aqui em cima que a gente copiou essa lógica na veia dentro da Reserva, mas contar que copiou é fácil, difícil é abrir como a coisa foi feita na prática.

É isso que eu e meus sócios fazemos toda semana dentro do Manual de Donos, que é a nossa comunidade de donos. Já são mais de 30 manuais de negócios e de inteligência artificial publicados, cada uma videoaula e passo a passo pra você aplicar na segunda de manhã. E o melhor nem são os manuais, é a turma: tem dono de padaria trocando ideia com dono de indústria, gente faturando 50 mil por mês aprendendo com quem fatura 50 milhões, todo mundo dividindo erro, acerto e contato de verdade.

TRUQUES DE IA

📄 Como revisar qualquer contrato com a ajuda da IA direto no Word (antes de assinar)

Você recebe um contrato pra assinar, de fornecedor, de cliente, de sociedade e bate aquela insegurança: será que tem alguma pegadinha aqui? alguma cláusula ruim que eu não entendi?

Existe uma forma de usar o Claude dentro do próprio Microsoft Word pra fazer uma primeira revisão do contrato: ele lê tudo, aponta os pontos de atenção, sugere ajustes e destaca o que precisa de explicação, antes de você assinar ou mandar pra frente.

🤖 Como começar a usar:

Passo 1: Coloque o Claude Dentro do Word

→ Você precisa de uma assinatura paga do Claude e do Microsoft 365.

→ No Word, vá no menu de cima em "Inserir" e procure "Suplementos" ou "Complementos" (é tipo uma lojinha de aplicativos do Word). Em inglês aparece como "Get Add-ins" no "Microsoft Marketplace".

→ Busque por "Claude", adicione e faça login com sua conta.

→ O Claude aparece numa faixa lateral, do lado direito do documento.

Passo 2: Peça a Primeira Revisão

→ Abra o contrato que você quer revisar no Word.

→ Peça pro Claude: "Revisa esse contrato e ativa as alterações rastreadas. Destaca tudo que for ponto de atenção, o que estiver mal escrito e o que precisa de explicação ou ajuste."

→ O Claude vai passar o documento inteiro marcando o que achar.

Passo 3: Aceite ou Rejeite Cada Sugestão

→ Agora você revisa o que o Claude sugeriu, um por um.

→ Cada mudança você pode aceitar (se concordar) ou rejeitar (se não fizer sentido).

→ Como está tudo marcado, você também pode mandar o documento pra um sócio ou colega revisar junto e ver exatamente o que mudou.

Passo 4: Finalize o Documento

→ Quando estiver satisfeito, é hora de fechar o contrato.

→ Digite "/" dentro do Claude e escolha a função "Verificar Documento" pra ele dar uma última passada conferindo tudo.

→ Aí é só salvar e mandar pra assinar.

DICA DE OURO:

Depois de revisar alguns contratos, salve as conversas do Claude num Projeto (uma pasta dentro do Claude onde ele guarda contexto) e transforme o processo numa habilidade reutilizável. Assim toda a sua equipe pode revisar contratos do mesmo jeito, seguindo o mesmo padrão, sem depender só de você.

Atenção importante: o Claude ajuda a entender e organizar o contrato, aponta pontos de atenção e deixa você muito mais preparado, mas ele NÃO substitui um advogado.

PRA FECHAR

🎟️ Mais de 2 milhões de pessoas assinam e leem essa newsletter todas as semanas. Se você tem um negócio e deseja comunicar sua marca para nossos leitores é só falar com o nosso time clicando aqui.

📱Se você ainda não me segue no Instagram, clica aqui e vem comigo.

SOBRE MIM

Eu e meus sócios fundamos algumas das marcas mais relevantes do país com R$0 no bolso e as levamos a R$2 bilhões de faturamento anual. Vendemos o negócio por mais de R$1 bilhão e hoje vivemos para mentorar e investir em fantásticos empreendedores.

Toda segunda-feira, às 18:18, eu envio o Email do Rony. É a minha forma de te ajudar a construir uma vida e um negócio prósperos.

Trabalho pela minha família e carrego ela comigo em tudo que faço. Por isso eu te pergunto: você tá construindo algo que te permite viver de verdade, ou só sobrevivendo? Pensa nisso.

Um abraço,

Até a próxima segunda-feira, às 18:18h. VQVVVVVVVVV!

SUA VEZ

O que achou da edição de hoje?

Escolhe uma das opções abaixo e, se quiser contar o motivo, melhor ainda:

Login or Subscribe to participate

Continue lendo

View more
caret-right