Toda segunda, às 18:18

QUOTE DA SEMANA

Ninguém acorda de manhã motivado por meta de faturamento. Gente acorda motivada por significado. Se o único motivo pra sua empresa existir é ganhar dinheiro, não reclama quando o único motivo do seu funcionário estar ali é o salário.

Simon Sinek
EDIÇÃO DO DIA

Hoje em 10 minutos:

🎯 Isso vai mudar a forma como você cria as suas metas.

🍨 Um picolé mexicano num negócio de mais de 60 milhões de dólares.

🤖 Como descobrir se sua ideia de negócio vai dar certo antes de gastar um centavo.

🧰 Por dentro da minha comunidade.

FALA RONY

Você faz isso e nem percebe.

Turma, um governo pagou pra população matar cobra venenosa na rua, e quando o programa acabou, a cidade tinha mais cobra do que antes dele existir. E o motivo disso, eu te garanto, vai mudar a forma como você cria as metas e as recompensas dentro da sua empresa e na sua vida.

Calma, valente, calma, que eu vou te contar a história inteira sem te sugerir que você espalhe cobras pelo escritório pra bater a meta do trimestre.

A história se passa em Delhi, na Índia, no tempo em que o país era colônia britânica. O governo inglês tava preocupado pra caramba com a quantidade de cobras venenosas que infestavam a cidade, e resolveu criar um programa que parecia genial de tão simples: qualquer pessoa que entregasse uma cobra morta pras autoridades ganhava uma recompensa em dinheiro. A lógica era óbvia, né?

Mais gente caçando cobra significa menos cobra na rua. E no começo funcionou que foi uma beleza. As cobras foram sumindo das ruas, a população ganhava um dinheiro extra, e o governo ficou todo orgulhoso da sacada.

Só que aí o tempo foi passando e aconteceu uma coisa estranha. A entrega de cobras mortas não parava de aumentar. Mês após mês, mais e mais cobras sendo entregues pra recompensa. E o governo, ingênuo, achava que era sinal de que o programa tava funcionando ainda melhor.

Adivinha o que tava acontecendo de verdade, meus caros? A população tinha começado a criar cobra em casa. Isso mesmo. As pessoas montaram criadouros de cobra venenosa no quintal, não pra livrar a cidade do problema, mas pra produzir cobra morta em escala e faturar a recompensa. Era muito mais fácil criar cobra controladinha em casa do que sair caçando cobra selvagem na rua arriscando a própria vida.

Quando o governo finalmente descobriu essa indústria caseira de cobra, ficou furioso e cancelou o programa na hora. E aí veio o golpe final. Os criadores, de uma hora pra outra, ficaram com centenas de cobras venenosas nas mãos que não valiam mais nada. O que eles fizeram? Soltaram tudo na rua.

Resultado: a cidade de Delhi terminou mais infestada de cobra do que estava antes do programa começar. A solução criada pra resolver o problema acabou multiplicando o próprio problema que ela queria resolver.

Essa história ficou tão famosa que virou nome de conceito. Um economista alemão chamado Horst Siebert batizou esse fenômeno de "efeito cobra", e ele descreve exatamente isso: quando uma recompensa mal pensada faz as pessoas trabalharem pra piorar o problema em vez de resolver. E não foi só na Índia, viu? Tem um caso parecido e bem documentado com os franceses em Hanói, no Vietnã, que pagaram recompensa por rabo de rato pra combater uma praga, e acabaram com gente criando rato e cortando só o rabo pra soltar o bicho de volta e ele se reproduzir. Mesma lógica, mesmo desastre.

Agora para tudo e pensa comigo, porque o efeito cobra não vive só dentro das empresas. Ele vive dentro da sua casa, da sua cabeça e da sua vida, todo santo dia, de formas que você nem percebe.

A gente cria metas e bônus achando que tá incentivando uma coisa, e na prática tá incentivando o comportamento oposto, sem perceber. Pensa no vendedor que ganha comissão só pela quantidade de vendas. Parece justo, parece que vai motivar ele a vender mais, e vende mesmo. Só que pra bater aquela meta, ele empurra produto pro cliente que não precisa, promete prazo que a empresa não consegue cumprir, fecha venda na pressão e some depois.

No fim do mês ele bate a meta, ganha o bônus, e você fica todo feliz olhando o número de vendas subindo. Mas lá na ponta, o cliente tá puto, não volta nunca mais, fala mal da sua empresa pra cinco amigos, e o estrago na sua reputação custa muito mais caro do que aquela venda valeu. Você premiou a quantidade e pagou com a qualidade sem nem perceber a conta chegando.

Pensa no pai ou na mãe que define o sucesso do filho pela nota na escola. A meta vira "tirar dez na prova”, e o que essa meta recompensa não é aprender, é tirar dez. E o jeito mais fácil de tirar dez nem sempre é entender a matéria… Às vezes é decorar na véspera e esquecer tudo na semana seguinte, às vezes é colar. O filho bate a meta, todo mundo fica orgulhoso, e o aprendizado de verdade, que era o que importava, ficou pra trás. A nota subiu, o conhecimento não.

Tá vendo o padrão?

Em todas essas situações, a pessoa define uma meta achando que tá mirando num lugar, e na prática ensina a si mesma a mirar em outro. Porque a lição universal do efeito cobra é esta, e vale pra absolutamente tudo na vida: quando você define o que vai ser recompensado, você define automaticamente aquilo que vai priorizar no seu comportamento. Você não faz o que você quer fazer, você faz o que você recompensa fazer, e essas duas coisas, na maioria das vezes, não são a mesma coisa.

Quem ganha dinheiro entregando cobra morta não quer, lá no fundo, que as cobras acabem, porque o fim das cobras é o fim do dinheiro dele. Da mesma forma, quem ganha bônus só por volume de venda não quer, lá no fundo, gastar tempo construindo relacionamento de longo prazo com o cliente, porque isso atrasa o número que paga o bônus dele.

Então antes de criar qualquer meta, qualquer bônus, qualquer recompensa na sua empresa ou na sua vida, não pensa só no resultado que você quer alcançar. Pensa principalmente no comportamento que aquela meta vai gerar no caminho até lá. Faz a pergunta difícil:

‘‘Se eu recompensar exatamente isso, qual é o jeito mais fácil e mais esperto de bater essa meta sem conquistar o que eu realmente quero?’’

Porque sempre vai existir esse jeito, e se você não enxergar ele antes, vai acabar criando cobra no quintal sem perceber, seja na sua equipe ou dentro de você mesmo.

A meta não é neutra, meus amigos.

Ela molda o comportamento de quem trabalha com você e molda o seu próprio comportamento também. Uma meta bem pensada faz você remar na direção certa. Uma meta mal pensada faz você remar com força total na direção errada, achando que tá fazendo tudo certo, porque foi você mesmo que escolheu aquele alvo.

Definir as metas certas é uma dos pilares de um bom Modelo de Gestão, e demos uma aula completa sobre isso no Manual de Donos, minha comunidade fechada, sobre “Como começar e implementar um Modelo de Gestão”. Se quiser assistir ela na íntegra, clique aqui.

Antes de prometer recompensa por cobra morta, na empresa ou na vida, tem certeza de que você não tá, sem querer, criando um monte de gente, ou um pedaço de você mesmo, interessado em manter as cobras bem vivas.

Pensa nisso com carinho.

RAIO-X DE NEGÓCIO

O universitário que transformou um picolé mexicano num negócio de mais de 60 milhões de dólares.

O Daniel Goetz era um estudante de publicidade na Universidade do Texas, em Austin, quando em 2009 viajou pro México com a namorada e comeu uma paleta de rua. Paleta é aquele picolé mexicano feito com fruta de verdade, cortada na hora, sem conservante, sem corante, sem nada artificial.

Ele se amarrou tanto naquele negócio que, quando voltou pra Austin, foi direto à Whole Foods, uma famosa rede de supermercados norte-americana especializada em alimentos naturais, para procurar alguma coisa parecida. No entanto, só encontrou produto feito com açúcar, gordura hidrogenada e aromatizante com gosto de infância fake. Ali, naquele corredor de supermercado, enquanto lia rótulo atrás de rótulo sem achar o que queria, o Daniel entendeu que tinha um buraco enorme no mercado americano: ninguém vendia picolé de verdade.

Só que ele não tinha absolutamente nada além de 3.500 dólares guardados cortando grama na vizinhança. Com essa grana, comprou frutas, convenceu o dono de uma paleteria em Austin a deixar ele usar a cozinha depois do expediente, e começou a produzir picolés artesanais sozinho, cortando fruta à mão e congelando 80 unidades por hora. Deu o nome de GoodPop, que em português seria algo como "bom picolé", e saiu vendendo nas feiras da cidade com um carrinho.

Aí veio o que parecia ser o grande plano: montar um espaço pra vender no Austin City Limits, o maior festival de música do Texas, com dezenas de milhares de pessoas passando fome e calor. O Daniel e a equipe passaram três semanas preparando 18 mil picolés à mão pra dar conta da demanda. Só que tem um porém: choveu absurdamente.

O Zilker Park onde rola o festival virou um lamaçal insuportável, e no final das contas ele vendeu exatamente 4 picolés. Não 4 mil, não 400. Quatro. O cara quebrou, perdeu praticamente tudo que tinha investido e voltou pra estaca zero sem dinheiro pra marketing, pra fruta, pra embalagem, pra nada.

E aí é que essa história fica boa, porque o Daniel tinha 2 opções naquele momento: 1. reclamar que a vida tinha sido injusta com ele ou 2. usar o que ele tinha. E o que ele tinha era um curso de publicidade e um site no ar. Então ele fez a única coisa que podia fazer: otimizou o site da GoodPop pro Google, aprendendo SEO básico num tutorial da internet, sem gastar um centavo. Trabalhou o código pra que, quando alguém pesquisasse "picolés orgânicos" no Google, a GoodPop aparecesse em primeiro lugar. Semanas depois, uma agência de Nova York encontrou ele exatamente por essa busca e fez um pedido de 50 mil picolés, pagando 80 mil dólares à vista. Aquele pedido salvou a empresa.

Nos anos seguintes, o Daniel dormiu no sofá dos amigos por 4 anos pra não pagar aluguel, rodou centenas de milhares de quilômetros num Toyota velho pelo Texas vendendo de loja em loja, de cliente em cliente, entregando pessoalmente às 6 da manhã nos depósitos da Whole Foods. E foi construindo o negócio tijolo por tijolo, sem pressa, sem investidor, sem rodada de captação, sem nada além de produto bom e persistência.

Hoje a GoodPop fatura mais de 63 milhões de dólares por ano, tem mais de 10 mil pontos de venda espalhados pelos Estados Unidos, incluindo Costco, Walmart e Whole Foods, fechou parceria com a Disney e nunca recebeu um centavo sequer de investidor externo. A empresa é lucrativa praticamente desde o início e o Daniel, com 38 anos, continua sendo o CEO, tocando o mesmo negócio que começou cortando fruta na cozinha emprestada de uma paleteria.

E olha, essa parte da história é a que mais me fascina, porque o que o Daniel fez em 2009 com o Google é exatamente o que todo dono precisa fazer agora com a inteligência artificial. O jogo mudou e hoje o seu cliente não abre mais o Google e digita três palavras, ele abre uma IA, o ChatGPT, o Claude ou o Gemini e descreve o problema ou que está buscando, e a IA responde com nome de empresa dentro. Se a IA não sabe que você existe, você não aparece, e se você não aparece, o cliente vai pro concorrente sem nem saber que você existia.

Pensando exatamente nisso, essa semana saiu uma aula dentro do Manual de Donos, minha comunidade fechada, com um manual prático de como fazer a IA recomendar o seu negócio. Passo a passo, do zero, com diagnóstico, prompt pronto pra copiar e colar, e um plano que você monta em 20 minutos. Porque se o Daniel salvou a empresa inteira porque apareceu no Google na hora certa, imagina o que acontece quando você aparece na IA que o seu cliente usa todo dia pra tomar decisão de compra. Esse manual e vários outros estão lá dentro te esperando.

TRUQUES DE IA

🔍 Como descobrir se sua ideia de negócio vai dar certo antes de gastar um centavo

Você tem uma ideia de negócio na cabeça há meses, mas fica naquela dúvida: será que vale a pena? Tem mercado? Alguém já fez? Vou perder dinheiro? e acaba não fazendo nada, ou pior, investe sem saber se vai dar certo.

Existe uma ferramenta de IA chamada Perplexity que faz uma pesquisa profunda da sua ideia: analisa o mercado, os concorrentes, os riscos, as oportunidades e ainda monta uma apresentação com tudo isso em poucos minutos.

🤖 Como começar a usar:

Passo 1: Abra o Modo de Pesquisa Profunda

→ Entre na Perplexity (funciona no plano gratuito).

→ Mude para o modo "Deep Research" (Pesquisa Profunda).

→ É um botão na própria tela — ative antes de pesquisar.

Passo 2: Cole o Prompt com Sua Ideia

→ Cole este prompt e descreva sua ideia:

"Estou avaliando esta ideia de negócio: [descreva sua ideia em 2-3 linhas]. Faça uma análise completa de viabilidade: tamanho do mercado, principais concorrentes, pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças (análise SWOT), custos de entrada e riscos principais. Monte tudo em formato de apresentação de slides."

→ Aperte enter e saia de perto por 5 a 6 minutos.

→ A Perplexity pesquisa e monta a apresentação no mesmo processo.

Passo 3: Salve o Prompt

→ Guarde esse prompt num lugar que você vai usar de novo.

→ Dica: crie um "Space" (espaço) dentro da Perplexity só para validar ideias.

→ Assim você não precisa reescrever o prompt toda vez.

Passo 4: Vire uma Rotina

→ Todo sábado de manhã, pegue uma ideia da sua lista e rode o teste.

→ Em um mês você valida o que levaria um ano de "será que dá certo?".

→ Você para de adivinhar e começa a decidir com dados.

DICA DE OURO: Crie variações do prompt para situações diferentes: uma versão de 6 slides para apresentar a um sócio em potencial, uma versão que compara duas ideias lado a lado, ou um plano de MVP (versão mínima do produto) de 90 dias para ideias que já passaram no teste de viabilidade.

A Perplexity não substitui uma pesquisa de mercado profissional ou a validação real com clientes, mas para ter um diagnóstico rápido e honesto da sua ideia antes de investir resolve muito bem.

E você para de jogar dinheiro em ideia que morreria no papel se você tivesse pesquisado antes.

FERRAMENTAS DE DONO

Turma, fui no podcast ROI Hunters e soltei o verbo. Foram quase 2 horas de conversa sem filtro sobre tudo que eu vivi nos últimos 20 anos, como construí a Reserva do zero até virar uma marca de 2 bilhões de reais, por que larguei tudo, e o meu próximo negócio, que estou construindo agora, apostando todas as fichas.

E quando eu digo sem filtro, é sem filtro mesmo. Contei pela primeira vez em detalhes o que me levou a criar o que eu considero o meu projeto mais importante até hoje.

Bota pra rodar no carro, na academia, lavando louça, mas ouve até o final pra me falar o melhor conselho que você aprendeu nesse bate-papo.

Fui!

POR DENTRO DA MINHA COMUNIDADE

Pensa comigo por um minuto: com quantas pessoas você consegue falar sobre seu negócio, de forma transparente e real?

Você tá na mesa do almoço cheio de gente que admira o que você construiu, mas ninguém ali entendeu, de verdade, o que você sentiu pra construir. Você sai com seus amigos, mas tem vergonha de contar problemas, porque os números podem parecer arrogância. Pouca gente fala, mas empreender é uma jornada solitária.

Essa semana, lá dentro do Manual de Donos, a gente atacou essa dor de um jeito que ainda não tínhamos feito. A gente abriu uma sala fechada, ao vivo, no Zoom, comigo, os meus sócios e os membros da comunidade. Quase 2 horas de mentoria, ajudando os membros com dores específicas de seus negócios, desde caixa, contratação, marca, até decisão de expansão de negócio.

Vou te dar um exemplo real da noite pra você sentir o nível.

A Mariana, de Belo Horizonte, mãe de três, funcionária pública, está prestes a lançar uma marca de moda infantil, e travou na pergunta da precificação: começa barato pra ganhar cliente, ou já começa no preço cheio porque quer educar a audiência? Fomos do macro pro micro na resposta: caro é o que não vende, e destrinchamos ali como começar com poucos produtos, criar comunidade antes do lançamento, fazer pré-venda pra gerar caixa, e quando uma embalagem de 20 reais vale a pena e quando não vale.

Isso é uma noite e, o melhor, esse formato nem tava previsto no roteiro do produto. A comunidade pediu mais troca, abrimos grupo de WhatsApp e sala ao vivo. Cabeça de Dono é exatamente isso. O cliente fala, a gente escuta, a gente entrega.

Tem dúvida grande no peito? Nós estaremos lá, e você pode perguntar qualquer hora. Tome a decisão que vai fazer uma diferença gigante no seu negócio:

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SOBRE MIM

Eu e meus sócios fundamos algumas das marcas mais relevantes do país com R$0 no bolso e as levamos a R$2 bilhões de faturamento anual. Vendemos o negócio por mais de R$1 bilhão e hoje vivemos para mentorar e investir em fantásticos empreendedores.

Toda segunda-feira, às 18:18, eu envio o Email do Rony. É a minha forma de te ajudar a construir uma vida e um negócio prósperos.

Trabalho pela minha família e carrego ela comigo em tudo que faço. Por isso eu te pergunto: você tá construindo algo que te permite viver de verdade, ou só sobrevivendo? Pensa nisso.

Um abraço,

Até a próxima segunda-feira, às 18:18h. VQVVVVVVVVV!

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